O Livro: UMBANDA PARA A VIDA - Segunda Leitura dos Fundamentos Umbandistas foi lançado na festa de fim de ano do Terreiro do Pai Maneco no dia 13 de Dezembro.
ISBN: 978-85-909052-0-2
Mais informações no site do terreiro.

Este livro está na íntegra neste site, aproveite e leia.

6 – Planificação dos Trabalhos a serem realizados em psicografia no Terreiro de Umbanda Pai Maneco


Os escritos nestes são derivados de uma planificação espiritual, serão realizados sob a orientação e supervisão do Pai Maneco e do Pai Santo Sr. Fernando Guimarães e sob eles e sob sua orientação é que devem ser selecionados e divulgados.

O teor deste deriva de informações realizadas através de grupo de estudo espiritual, monges, que acompanharam e acompanham o inicio e desenvolvimento da Umbanda.

Os textos, em seu conteúdo, poderão ser alterados, modificados e excluídos, segundo a orientação do Pai Maneco, responsável espiritual pelo trabalho que começará a ser aqui desenvolvido.

Pai Fernando irá coletar, colecionar e, segundo orientação de Pai Maneco, excluir, divulgar, desenvolver os textos referidos.

Escolhera os tópicos que deverão ser esclarecidos, segundo sua orientação e para que haja facilidade de informação e de comunicação mediúnica.

Tentar-se-á ser o mais explícito e básico possível, dentro da simplicidade que rege os trabalhos, mas, de outro lado, conceitos e verdades tem sua fundamentação em realidades às vezes não tão simplórias, pelo que também cabe ao Pai de Santo, se necessário, extrair o conteúdo e torná-lo de fácil compreensão.

Todos os trabalhos aqui desenvolvidos serão de autoria da casa, com sua estrutura, normatização e dentro dos conceitos já relatados.

Os direitos referentes à obra aqui realizadas são de propriedade desta casa de umbanda, sendo que a médium escolhida para redigi-los neste ato, e em ato escrito, abre mão de qualquer reivindicação autoral, posto que estes não são em momento algum, por ela realizados, mas apenas por ela transmitidos, pelo que a autoria é do grupo espiritual de monges, que através de ditado, este repassa.

Os escritos deverão ficar sob responsabilidade do Pai de Santo, sendo que os originais devem ser retidos e guardados para futuras consultas, também pelo Pai de Santo.

Portanto, dentro estes tópicos, foi iniciado o trabalho que se estenderá até que sejam esclarecidos e demonstrados, verdades, fundamentos e planificações.



Na paz de Oxalá e sob sua completa supervisão.

5 - Leitura Final – O Destino e a Escolha das Rotas


Tem-se dito que há destino. Só que dificilmente se define o destino.

Aqui se toma o destino como a ordem antevista e pré-determinada que o espírito, enquanto ser desencarnado e consciente da realidade espiritual busca e traça. Uma rota de acontecimentos determinados, visando o aprendizado e conseqüente evolução na nova encarnação que se fará presente. É, pois, uma pré-determinação do próprio espírito.

Então, sim, destino, nos termos expostos é uma realidade que não pode ser negada.

Entretanto a existência do destino não significa em absoluto a inexistência do livre arbítrio que todos os espíritos, encarnados ou não, possuem.

Perguntam filhos, como conscientemente podem então realizar escolhas, se já estariam elas pré-determinadas?

O destino, como já explicitado, é uma rota traçada, mas ainda não percorrida. E como rota pode e é alterada a cada momento, a cada decisão.

Seguir a rota pré-determinada é uma escolha feita diariamente. Um exercício de aprendizado e sabedoria.

Mas, a todo o momento é dado ao filho à possibilidade de modificar o que pré-determinado estava.

Seguir o destino é, pois uma opção e nunca uma obrigação.

É claro que, ao se caminhar na mesma direção do que pré-determinado estava o caminho poderá se fazer, se não mais fácil, menos atribulado. Porque há um prévio conhecimento mesmo que inconsciente, da rota que esta sendo trilhada.

Normalmente, a rota pré-estipulada é aquela que aos filhos se fará mais proveitosa na encarnação pelo qual passam.

É simples o entendimento dos motivos: o espírito enquanto desencarnado possui uma visão mais ampla e completa da sua evolução e de suas necessidades kármicas.

Por enxergar sem a limitação do físico, conhece suas encarnações anteriores e perceber o erro não de uma, mas de centenas de vidas.

Toma portanto a escolha que mais correta parece estar para a realização do aprendizado e crescimento.

Mas, que não se alimente a esperança de que esta rota pré-traçada será mais fácil do que a escolhida conscientemente enquanto o espírito estiver encarnado.

Não. Alias, muitas das vezes é inclusive mais difícil do que a efetivamente escolhida. Mais difícil porque desencarnado o espírito não teme a dor e consegue compreender que a dor máxima não é o sofrimento humano, mas sim a inexistência do aprendizado, a encarnação em vão ou a pratica dos mesmos erros ou de ainda maiores.

Quantos filhos, conscientemente, escolheriam o sofrimento físico se pudessem fazer a opção pela beleza e juventude de um corpo? Quantos filhos, conscientemente, escolheriam viver junto à pobreza em tempos de guerra, em épocas de grandes desastres se pudessem realizar a opção pela paz, pela segurança, pela continuidade?

Provavelmente nenhum. Porque o espírito encarnado no físico quer a sua preservação a qualquer custo, em todo o momento.

Mas pensem filhos, distanciem-se desta encarnação na qual estão agora e de suas limitações físicas enquanto encarnados. Pensem quantas vezes as limitações físicas se transformam em ilimitadas possibilidades intelectuais.

Quantos desastres se fazem transformar em histórias de apego extremo a vida. Quantas guerras não fizeram surgir a compaixão, o arrependimento e a busca pela paz?

Na maioria das vezes se aprende mais na dificuldade do que na aparente facilidade. Porque o sofrimento traz junto a ele a necessidade de mordaça, transformação. Não que somente o sofrimento, leve ao aprendizado. Jamais seria justo ou correto se dessa forma se apresentassem as coisas.

Como já dissemos no livro anterior, quando o conhecimento e entendimento se faz presente , o sofrimento cessa.

Quando se faz presente a evolução na paz, se torna desnecessária a guerra.

Mas na grande maioria das vezes, o sofrimento traz a necessidade de mudanças e, o conseqüente e o inevitável aprendizado.

Assim, o espírito pode escolher o destino da queda para mais facilmente realizar o aprendizado.

Mas é claro que se os filhos noção tiverem desse fato poderão evitar a queda. Se aprenderem que antes de tudo, a encarnação, como a Umbanda, tem por objetivo a evolução da alma ao encontro da luz.





“O que me destina o destino
Se não forem as águas de Iemanjá?
O que me destina o destino
Se não for a tranqüilidade de Oxalá?
Não sei.
Talvez as lágrimas de Oxum.
De qualquer forma rezo a Iansã para que suas tempestades me ensinem, sem destelharem meu lar. “

4.7 Entre Karmas e Elementos


Enquanto as entidades estão de um modo ou de outro resgatando seus karmas como todas as almas encarnadas, os elementos não possuem karmas para serem resgatados, porque deles derivam o palpável e o impalpável.

Karmas só podem ser resgatados por almas que tem um retorno ao bem a ser feito, que cumprem sua jornada de encontro ao bem e ao puro. Elementos não possuem em si esta busca mesmo porque o bom e o puro deles derivam.

As águas salgadas de Iemanjá, os ventos de Iansã, as pedras de Xangô, as matas de Ogum, as águas doces de Oxum, o fogo de Ogum, a imaterialidade de Oxalá, todos estes são elementos que compõem o inicio e para ele não precisam retornar.

Portanto, elementos, não possuem karmas a serem resgatados como as entidades de pretos velhos, crianças, exus, pombas giras, ciganos, entre todas as outras entidades que compõem a umbanda.

As almas derivam de um dos elementos e, sendo o filho, uma alma encarnada de mesma forma dele deriva. Por isso que saber o pai ou a mãe de cabeça significa saber qual dos elementos que possui mais influencia na formação da alma.*

De qual dos elementos deriva principalmente a alma e qual dos elementos tem o poder de atrair como ima, as maiores inclinações de um filho. Mas a formatação da alma não interfere em momento algum no karma que deve determinada alma concluir.

Mesmo porque filhos é certo que os karmas e provações modificam a cada encarnação e que os elementos principais da alma, não. Isso significa dizer que independentemente da encarnação que a alma esteja o seu pai ou mãe de cabeça não ira se modificar, porque é dele que foi derivado o elemento principal da criação de sua alma.

Ocorre que as entidades que hoje se apresentam como criança mais adiante podem tomar forma de pretos e assim por diante, ate que possam, seja encarnados ou não procurar a perfeição do inicio. Portanto cada alma deriva de uma linha especifica, independentemente do cascão que nele se apresente.

Porque o cascão deriva da necessidade de aprendizado que a alma ou entidade no determinado momento apresenta e essa necessidade se modifica no decorrer dos tempos, enquanto o elemento inicial se mantém.

Vão sempre existir entidades que trabalham como pretos velhos que são mais explosivas, que outras, como existirão ciganas mais afeitas a maternidade do que outras, isso depende do elemento a que cada alma é afeita, e essa característica se mantém ao longo de todas as encarnações.

Entidades e almas então tem a necessidade de aprender e evoluir, adquirindo karmas, mas não deixam seu elemento ao largo, sejam as mais variadas provas e necessidade de evolução.

É isso que faz com que toda a alma derive do bem e para ela volte. Inobstante o karma que deva resgatar deriva de um todo que é parte do inicial, que é o que traz a alma e ao cosmo a certeza de que o retorno se fará ao todo.

Ou imaginam filhos que almas de assassinos bárbaros não possuem pais ou mães de cabeça (ponto) Todas as almas por mais terríveis que pareçam suas atitudes derivaram de um mesmo local, onde os elementos estavam presentes. Então os possuem sim pai e mãe de cabeça.

Assim, filhos é importante que possam ser diferenciados os elementos das entidades. Os pais e mães de cabeça são derivados dos elementos: Iansã, Ogum, Oxum, Iansã, Oxalá, Iemanjá, Xangô. E as almas derivadas de tais elementos podem em cada encarnação trabalharem como entidades diferentes, com cascões diferentes, mas sempre buscando o retorno ao todo do qual sempre fazem parte.


“Egos a parte um dia terei a sabedoria do Preto Velho que me guia,
Afinal se viemos do mesmo lugar com certeza em algum momento nos encontraremos no caminho”.


* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 90, O Equilíbrio e As Sete Linhas.

4.6 Resgates Kármicos e Repetição dos Resgates


Não basta apenas realizar os resgates kármicos sem a consciência deste resgate. Muitas vezes as dificuldades são repetidas diversas vezes sem que haja o aprendizado.

Não adianta que os filhos simplesmente passem pelas dificuldades, e que não aprendam com elas é preciso o aprendizado para que possa haver o entendimento.

Quantas vezes os problemas parecem se repetir das mais diversas formas sem que na realidade sejam resolvidos? É preciso antes de tudo aprender. Não adianta deixar que os outros simplesmente absorvam e resolvam os problemas porque, a partir do momento que é necessário o aprendizado do filho então deverá ser ele quem passará pelas dificuldades.

Não podem os filhos menosprezarem as dificuldades querendo que os outros as resolvam sem que por elas tenham passado. As experiências serão repetidas não uma, mas inúmeras vezes ate que o entendimento se faça presente.

E de nada adianta encontrar outras formas que não o enfrentamento dos problemas para resolvê-los. É preciso que os problemas sejam compreendidos e sobre eles seja tomada determinada atitude que não pode se fazer por meio do escapismo.

O escapismo pode parecer adiantar em uma vez, mas logo ali na frente a mesma dificuldade se apresentara para que possa o filho realmente aprender e se novamente assim não o fizer, mais uma e outra vez, problemas e dificuldades similares se apresentarão para serem resolvidos.

E não é porque o filho simplesmente não causou mal a alguém que ira passar por essa encarnação sem aprender. A falta de atitude traz a necessidade de um resgate maior porque aqueles que não se voltam ao bem, ao auxilio, ao próximo, também erram.

E fácil não pensar no espírito quando não se faz necessário refletir sobre a vida e não pedir. É fácil criticar aqueles que crêem quando não se precisa em nada acreditar. Então ai também se fará a paga. No seu tempo a paga será realizada. Porque é necessário crer na força maior do espírito.

Aqueles que ignoram isso irão, em um momento ou outro entender que não basta apenas o físico. Que a vida necessita de uma explicação maior do que sua simples existência, que o conforto espiritual é o mais importante de todos os confortos porque antes de qualquer outro ensina como passar pelas dificuldades e sobreviver a elas.

É fácil falar sobre crentes quando céticos não precisam da Fé para enfrentar as dificuldades. Em algum momento precisarão e este será o resgate de seu karma, para que aprendam o motivo. Alias filhos, já pensaram qual o motivo de tudo isso? Para que o sofrimento diário se não houver um resultado maior, um bem maior a ser alcançado.

A necessidade da Fé é acima de tudo uma forma de resgate. É o reconhecimento da continuidade e a crença em algo maior do que o físico. É acreditar que não estão os filhos sós, mas que estão sim, entregues a sua própria dor, por necessidade e não por simples capricho divino.

Com essa percepção maior, muito mais brandas se tornam as dificuldades porque se pode ao final entender que há um motivo. Que há uma lição a ser aprendida. Que a lição levará ao desenvolvimento e a compreensão da necessidade de evolução.

Nenhum sofrimento e injusto ou desnecessário. Nenhum problema é ao acaso. De posse destas informações somente cabe ao filho entender o porquê das dificuldades pelos quais está passando.

O aprendizado e entendimento deve se fazer o mais rápido possível para que a dor possa cessar.

A evolução se faz, por isso pela resolução dos problemas e o seu não enfrentamento leva a necessidade de repetição dos mesmos. E é comum se encontrar filhos que não uma, nem duas, mas dezenas de vezes tem as dificuldades repetidas antes que consigam aprender e não se desviar do aprendizado.

Por isso também a Umbanda é frontalmente contrária ao suicídio. Por que ele é a forma de retirar de um espírito o aprendizado necessário em determinada encarnação e, portanto, somente levará a mais dor e sofrimento, seja da alma que teve sua existência obstada , seja daqueles que ao seu lado conviveram e então tiveram que compreender a dor e o desespero de uma perda calculada.

E não bastasse isso a dor criada por esse ato ultimo, também gera enorme resgate kármico, porque cria um elo não apenas de dor, mas de ódio nos envolvidos.

É importante que os filhos que sentiram a dor da perda de um suicida querido entendam que não deverão se ligar a essa alma que erra pela dor do ódio ou da vingança.

Devem tentar entender e continuar suas jornadas sem rancor para que não precisem novamente passar pela mesma experiência, gerando um novo karma que deverá ser resolvido em próximas encarnações já que a alma que se foi não poderá pagar nessa encarnação perdida a dor que causou.

Portanto é importante o desligamento de todos aqueles que estão envolvidos em um ato de suicídio do próprio suicida, para que não precisem novamente ter que passar pela experiência. E novamente aqui é importante tentar entender o motivo que levou ao problema enfrentado. E depois de entendido, não pode ele causar ódio ou maiores dores sob pena de, como já dito, levar a necessidade novo restaste.




“Não adianta tentar esquecer se a memória é viva.
A distância não apaga a dificuldade, aumenta-a para nova ocasião.
Única forma é enfrentar e pedir que Deus nos ajude. Se ele puder. “

4.5 Karma, Dificuldade e Compreensão


A busca do motivo da encarnação faz parte da própria encarnação e é ela algumas vezes mais necessária do que o próprio aprendizado em si. Portanto não é a todos os filhos que é dada a visão ampla de seu objetivo, de seu karma.

A luz não é dada a todos os filhos nem a noção de qual sua real função e o objetivo da encarnação. De todas as lições é sempre essa uma das mais importantes, porque não basta apenas tentar realizar o bem. Esse é obrigação mas é preciso também ir ao encontro da missão final da encarnação atual porque é dessa lição que o espírito encarnado precisa para realizar sua evolução.

Agora filhos, parem um pouco a leitura e tentem entender e pensar qual o objetivo da atual encarnação. Qual a lição, o aprendizado que é necessário se obter nessa vida para que o espírito possa evoluir e continuar sua caminhada.

E é preciso atenção. A doação a terceiros, de vida, tempo, trabalho, dinheiro, seja qualquer forma que ela se fizer não pode ser confundida com objetivo da encarnação, porque esse objetivo nunca é em favor de um terceiro, mas sempre visa à evolução do próprio espírito.

Se, dentro dessa evolução a doação, a ajuda, a distribuição se fizer presente, ela é apenas conseqüência e nunca motivo eis que como já visto a evolução é da alma encarnada e são suas e não de terceiros as provações, as dificuldades. Por isso é corrente a sabedoria que aquele que ajuda outras almas esta antes de tudo ajudando a si mesmo.

E é importante filhos entender que nenhum sacrifício poderá se fazer a favor de terceiros se não houver a evolução da própria alma. O sacrifício que somente auxilia a quem é objeto dele e não traz ao espírito qualquer continuidade em sua caminhada se traduz em karma que devera em um momento ou outro ser resgatado.


Os filhos podem se perguntar como é que o auxilio a terceiros, mesmo que seja correto e somente traga benefícios para este, se não trouxer ao filho a evolução pode se refletir em karma, aqui entendido como resgate.

A inexistência da evolução desperdiça encarnações e traz a alma à obrigação de recuperar o tempo perdido. Não bastasse isso o mais difícil ao filho encarnado é aprender aquilo que lhe é necessário. O maior sacrifício sempre será este e qualquer outro é menor e não leva ao resultado necessário.

É claro que isso não isenta de forma alguma ao filho tentar levar um pouco de compreensão e luz aqueles que sofrem, mas lembrando que qualquer atitude em tal sentido sempre será em beneficio próprio.

Encarnações são desperdiçadas sem que haja esse entendimento. Quantas mães e pais de sangue deixam de viver suas próprias vidas para, em um gesto desesperado, tentar “salvar” seus filhos de caminhos que não lhes parecem corretos. Encaminhar os filhos, na grande maioria das vezes, efetivamente faz parte da evolução daqueles que os colocaram na vida, mas ate o ponto em que isso não obste a própria evolução.

É preciso filhos parar e pensar. Karmas são recebidos, adquiridos e transferidos a próximas encarnações. O pagamento sempre será possível, mas nunca barato. O auxilio sempre deve vir a alma. Alma alguma pode ajudar porque a aceitação depende do terceiro e, em ultima instancia, o auxilio somente será realizado por esta aceitação e não pelo ato em si. O mesmo acontece com a tentativa de prejudicar. A respiração depende de cada organismo vivo, mesmo que o oxigênio seja externo. A verdade sempre é parcial. A mentira também. O correto depende do ponto de observação, o incorreto igualmente, Os pontos de observações são sempre diversos porque partem da evolução. A ajuda a terceiros é sempre mais fácil que a si próprio. O que parece mais difícil aos olhos não o é necessariamente a alma. A velhice não traz a compreensão, o sofrimento cessado sim. O sofrimento é diferente a cada alma. O sofrimento necessário não será amenizado pela ajuda, mas o desnecessário será cessado assim que houver a compreensão. Encarnações doadas são karmas não pagos no tempo correto. O tempo é infinito, mas os juros cobrados por ele também, porque o livre arbítrio esta na ação e não na reação. Almas não pagam mais que devem porque Oxalá é justo. Salvação de outros sem a da própria alma é desculpa. Salvação da própria alma pela utilização do sangue de outras também. A superação de dificuldades leva ao crescimento, a criação delas a involução. A conta somente será encerrada quando o preço pago for o correto e o valor dela depende exclusivamente de Oxalá. Não existe desconto por serem os filhos seguidores da Umbanda. A compreensão faz com que o tempo diminua e os juros também. A Umbanda traz compreensão, como toda crença que pretenda a evolução a luz. Que a Umbanda foi a cartilha escolhida pelos filhos e que a leitura dela devera se fazer sempre que não pareça ter fim o sofrimento. Mas que a cartilha deve ser lida também na tentativa de evitar o sofrimento. Que a cartilha deve ser lida sempre porque traz aos filhos a compreensão. Que a compreensão é o resgate procurado, sempre.





“Ajudei de gaiato porque assim achava que meu lote no céu estava garantido. Quando dei de cara com o céu, surpresa: não tinha dinheiro nem para o aluguel”

4.4 Cada Cruz um Peso


Quando se tem uma cruz não há o que fazer alem de carregá-la. É preciso carregá-la da forma mais serena possível, por que difícil sempre será. E todos tem uma cruz porque nesse sentido figurado ela representa algo que se deve carregar para aprender.

Os erros se repetem quando é mesma cruz e não ocorreu o aprendizado.

Cada filho possui uma cruz e não é ela maior ou melhor que outra, porque em cada uma encontra-se o motivo da força e a cada passo novo na caminhada é necessário agradecer. Quando se esta caminhando para frente, a evolução é constante, mas quando se permanece parado as chagas abrem e os insetos infestam aquele que não sentiu o peso da sua, pois de duas uma: ou esta sendo peso a outro ou não entendeu que deve evoluir. E que com isso só aumenta uma paga na frente, porque não há como não possuir a sua. Toda a alma esta para evoluir e quando não ocorre à evolução haverá a dor, porque ninguém e a ninguém é dado criticar aqueles que peso diferente carregam. Se não é nas costas do filho que ela esta então não é ele que poderá dizer qual seu tamanho ou seu peso. Não adiantam lagrimas. Lagrimas somente desperdiçam a força tão necessária a jornada. Filho enxugue as lagrimas e suba os olhos para pedir proteção. Mas de nada adianta a proteção se ela não está sendo pedida por necessidade. Que a cruz é antes de tudo para o bem e que a dor não é necessária quando se fizer presente o aprendizado. A cruz é necessária, o sangue não, porque não é demais lembrar que a cruz sempre estará la e que cabe ao filho carregá-la da melhor forma possível. Oxalá não atribuiu o peso nas costas porque é mau, mas apenas porque pretende que ela fortifique os músculos e torne mais efetiva à caminhada. Que não cabe a qualquer dos filhos julgar nem a sua nem a dos outros mas apenas carregá-la. Que aos filhos não é possível questionar porque de sua existência, mas aprender com ela. Que aquele que parece não carregá-la, no mais das vezes é o que mais sente o seu peso. Que não é necessário mostrar aos outros o peso de cada uma das cruzes porque não poderão eles carregar outra do que não a sua própria. Que de nada adianta querer auxiliar no peso alheio, porque na maioria das vezes está sobrecarregando a si mesmo e abrindo novas chagas que não as suas. Que quem tenta aliviar o peso dos outros está levando aquele a quem procura proteger a buscar uma cruz maior. Que os conselhos são para serem dados e ouvidos, mas que os ouvidos somente se farão presente quando houver entendimento. Que na inexistência desses de nada adianta a perseverança. Que a perseverança será no erro. Que se a cruz esta lá o caminho pode ser percorrido com alegria. Que a alegria independe do caminho. Que nunca as lagrimas podem apagar um sorriso. Que aquele que não sorri apenas tenta se proteger da luz. Que não adianta continuar a jornada carregando sua cruz se não houver a consciência de que ela deve ser levada com tranqüilidade. Que a ansiedade somente faz com que mais profundas sejam as marcas. Que as marcas ficarão, mas o aleijão não se fará presente. Que os aleijões são para que cada cruz tenha seu definitivo peso. Que cada aleijão fortalecerá outro músculo da alma. Que o maior aleijão não é físico é espiritual, Que a alma sempre será perfeita porque perfeito será aquele na qual a cruz repousa.

Que cada cruz deve ser respeitada e entendida, mas que cada filho deve se preocupar com a sua própria. Que a ninguém é dado carregar o peso alheio. Que a alegria não é uma benção, mas uma necessidade na caminhada. Que ela não é alternativa, mas obrigatória a todos aqueles que pretendem procurar a verdade.








“A cruz não tem tamanho, as chagas também não,
porque quando são em mim, doem”

4.3 A Relativa Importância do Autoconhecimento


A sociedade ocidental tem muitas coisas há fazer o tempo todo e acredita que fazendo algo consiga aplacar a verdade e a angustia anterior. Como já explicitado no Livro 1*, a paz não é interessante ao consumo.

Outra falsa noção vinda desta mesma sociedade e a que os filhos umbandistas ou não devem ficar atentos ao dito “autoconhecimento”, como se possível fosse afastar provas, erros e quedas somente com uma analise interna, uma grande dose de esforço e com a feitura de algo o tempo todo.

Pensem filhos que se dependessem de uma auto-analise os problemas e dificuldades e se todas as barreiras fossem enfrentadas quando há atividade então os trabalhadores contumazes e os filhos entendidos da psique humana teriam suas vidas profundamente facilitadas, porque os primeiros estão sempre fazendo algo e os segundos conhecem os desígnios da mente que domina o corpo.

Por obvio não é assim e esta é outra idéia errônea amplamente difundida na sociedade ocidentalizada como se possível fosse tomar nas mãos o destino e transformá-lo com a força do pensamento ou a força do agir.

É claro que os pensamentos devem ser incansavelmente cuidados para que não atraiam formas de energias não condizentes com o bem. É claro também que o filho deve sempre fazer o possível em sua caminhada para conseguir ir o mais distante e conseguir a maior evolução disponível.

Mas isso não quer absolutamente dizer que os filhos ao dominarem mente, espírito e vontade terão encontrado a chave para a paz e a evolução. Isso não depende do autoconhecimento, mas sim o entendimento de que existem limites e provações, que, de um modo ou de outro terão de ser enfrentadas, por mais perfeito, controlado ou ativo seja o filho.

As provações levam a evolução e os tombos também. Portanto não é o autoconhecimento que ira evitá-los posto que eles são inevitáveis a toda alma encarnada. O objetivo da encarnação do espírito como anteriormente já dito é a evolução. Se não houvesse necessidade de evoluir o filho não estaria encarnado A Inexistência de encarnação não significa não evolução, mas a encarnação é necessidade evolutiva.

E a evolução ocorre na grande maioria das vezes pelos tombos que se apresentam no meio do caminho. E não basta o simples autoconhecimento ou a incansável batalha pela perfeição para que haja evolução. Em algumas vezes elas não são somente desnecessárias como também atrapalham a evolução.

Existe tempo de rir, mas também há tempo de chorar. E se a alma precisa chorar é essa a realidade que ira se apresentar ao filho por mais preparado que esteja para as adversidades. O autocontrole é uma armadilha na qual podem os filhos facilmente cair, achando que quando ele é inexistente, tem-se fraquezas de caráter. Como se fosse a fraqueza ou fortaleza do caráter que determinasse o estado de evolução da alma.

Filhos que precisam evoluir (e todos os filhos encarnados precisam) não terão as provações retiradas do caminho pela fortaleza ou não de seu caráter.

Os filhos que mais erram são aqueles que se acham tão plenos e confiantes de seu caráter e de sua autodeterminação que não aceitam de bom grado as dificuldades que todas as almas que passam pela terra são submetidas. Se acham acima do bem ou do mau, acima de qualquer desvio de caminho. A soberba aqui é tão tamanha que muitas vezes terão que cair não uma, mas inúmeras vezes para aprenderem que contra os desígnios da alma força nenhuma pode se sobrepor.

Quando há necessidade do aprendizado e do conhecimento independe o grau de caráter ou a sua força, como independe também a força de vontade e o fazer eterno, que somente tumultua e deixa de ouvir os reais objetivos da encarnação.

Às vezes é preciso que o filho simplesmente pare e entenda que há tempo de rir, mas também há tempo de chorar e que não lute contra isso, mas entenda que esse tempo faz parte de um mesmo caminho. Que não é o filho ignorando a dor que a tranqüilidade se fará presente. A sociedade ocidental vende em vidros garrafadas de auto-ajuda, auto-comportamento, riqueza e felicidade como se os remédios para a alma pudessem ser resumidos e engarrafados.

Filhos parem e pensem quantas vezes simplesmente precisaram aceitar o que a vida lhes ofereceu sem poder lutar contra. E o não fazer aqui é a inteligência daqueles que conseguem viver com a necessidade de aprendizado. Saber que é necessária a queda e que muitas vezes o mais correto é permanecer no chão ate que seja a hora de levantar é clarividência que pouquíssimos filhos possuem.

Sempre querem ter opções, escolher os caminhos, como se tivessem o poder sobre o bem e o mau, como se suas escolhas fossem as corretas sem que se respeite o tempo do espírito em aprender. Quantas vezes filhos já não se depararam com situações nas quais atadas estão mãos e pés e ainda tentam fazer sobreviver as palavras. Mas Oxalá é sábio e se necessário for também fará essas cessarem ate que a alma encarnada reconheça a humildade da sua escolha em frente ao Universo e finalmente se curve aos desígnios divinos.

Filho fazer é sempre bom quando o tempo é esse, mas passar por cima de sua própria evolução para evitar sofrimento e dores é errado. Fazer no momento impróprio é muito mais errado do que aceitar sua condição e aprender com ela da melhor forma possível.

Em muitas vezes o tempo é apenas de observar e nada fazer, o tempo é apenas de aprender e entender que não bastam atitudes positivas e bem sucedidas para que o sucesso se faça presente. É muito mais que isso a evolução. É o entendimento que nem as mais poderosas entidades poderão deter a lei do Karma quando a paga tiver que se fazer presente.

Se nem estas entidades poderão deter as conseqüências e efeitos, de que poder se acham os filhos dotados para pretenderem mudar esse fato? Por obvio, como encarnados devem entender e principalmente aceitar as provações.

Não adianta querer que não haja dor, quando o tempo é de dor. É como pretender que a natureza não traga a chuva quando o tempo é de chuva. É tentar fazer com que um guarda chuva proteja a terra da tão necessária água. Não ira, por obvio, funcionar.

Quando o tempo for de colheita serão sempre bem vindas todas as atitudes e autodeterminações que devem se fazer presentes, mas quando o tempo é de renovação da terra, somente cabe ao filho esperar e orar para que a chuva molhe o chão e que, no tempo correto e da forma determinada por Oxalá se faça nova colheita.







“Corri e cai, andei e cai, me arrastei e cai.
Hoje somente meus olhos podem acompanhar aquilo que um dia foi movimento.”

* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 41, A Visão da Eternidade.

4.2 Como Poderiam os Filhos Saber?


Em vários momentos os filhos errarão porque a eles não será dada a consciência do erro. E o erro levará a conseqüências necessárias do aprendizado, que inexistiriam se o erro não se fizesse presente.

Explica-se: se houvesse o pré-conhecimento das conseqüências o erro não ocorreria e então tais conseqüências acabariam por serem somente meras conjecturas. Mas na maioria das vezes é necessário o tombo para haver a continuação. Se torna então fundamental o erro para a evolução. E claro, que o erro traz dor e a dor faz com que a alma saia do estado de imobilidade, evolua e continue aprendendo.

Mas muitas vezes a alma não perdoa seu erro e não consegue entender que ele era necessário a evolução. Então, como já visto, se cobra inúmeras vezes sem conseguir continuar com o peso nos ombros de ter realizado o ato errado. O remorso impede com que os filhos enxerguem qual a verdadeira intenção do erro e o que a dor dele derivada veio a ensinar.

Se fosse possível retornar ao passado e não cometer o erro o remorso então seria útil a alguma coisa. Mas como isso não ocorre nas esferas terrenas somente cabe a alma que errou tentar entender o que a dor que deriva do erro pretende ensinar.

Porque esse ensinamento teve um preço e não deve ser desperdiçado, porque como já visto, a cada erro repetido maior será a paga. A pena de si mesmo e o remorso podem levar que a dor não seja suficientemente clara naquele momento, precisando, pois se repetir novamente.

Assim filhos chega de remorso, e pena de si mesmos. É importante que leiam agora o Livro 1* onde se explica o perdão para que perdoem a si próprios.

Entendido isso, o importante dessas novas linhas é entender que por maior que seja a fé, por melhor que seja a compreensão e a intenção, por mais cantantes que sejam as orações, ainda assim, os filhos irão errar.

Os erros trazem a evolução e lições preciosas que não podem ser desperdiçadas. O erro é necessário a evolução e por mais que tente ser evitado sempre se fará presente. Erra mais o filho que remoe tanto sua falha que não consegue seguir em frente e obsta o resto da sua evolução porque de uma queda não se levanta e isso é difícil de compreender.

Os filhos se perguntam por que as entidades não os afastaram dos buracos que estavam à sua frente e não foram vistos. Repete-se aqui o que se tem repetidamente dito: as entidades, sejam as que trabalham na Umbanda ou em outras religiões, não tem o poder de se opor ao livre arbítrio, porque ele é antes de tudo, fundamento da evolução.

Podem sim desviar os erros que não são necessários a alma e também tentar auxiliar na compreensão da dor e no que ela procura ensinar ao filho. Mas os erros são necessários a evolução e as entidades não têm o poder de desviá-los quando se fizerem necessários.

Portanto ao errar, entenda filho, os motivos, as conseqüências, reconheça a falha, mas siga em frente, mesmo que isso seja o mais difícil.

E também enxergue o que a vida esta tentando ensinar. Porque os erros irão se repetir a cada vez que não houver o aprendizado, e a cada vez, o sofrimento será maior, para que enfim possa existir a compreensão.





“Eu não tive uma segunda chance, porque me matei na primeira”

* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 17, A Força do Perdão e a Força de sua Inexistência.

4 - Parte IV - Karma

4.1 Os Caminhos que serão Seguidos


A ninguém cabe se eximir dos caminhos que deverão ser obrigatoriamente seguidos, porque as lições para a evolução devem ser apreendidas de um modo ou de outro. Apesar de muitas vezes ser possível fazer com que as escolhas sejam as menos pesadas ainda assim, necessário que sejam entendidas as lições.

A Umbanda não acredita que todos os caminhos estejam trilhados antes do nascimento e sejam eles imutáveis. Traçados sim estão as lições que o filho deve passar pela encarnação, para que possa entender o que deve aprender para evoluir.

Portanto não existem caminhos traçados, mas sim esboços que a qualquer tempo poderão ser modificados pelo filho porque cabe a ele o livre arbítrio. E o livre arbítrio é, como anteriormente especificado, fundamento intocável da alma. Assim, se os caminhos já estivessem traçados qual seria a possibilidade de escolha da alma? Existem assim esboços, que a qualquer momento podem ser apagados para novos restarem escritos.

Mas a cada escolha a reação afeita levará ou não ao aprendizado necessário. Mesmo que os esboços já estejam pré-determinados o mais importante é que o cavalo consiga aprender aquilo a que sua alma se dispôs para que não seja em vão sua encarnação e muito menos que novas pagas mais pesadas se façam necessárias para que ocorra aprendizado.

Porque se pode escolher pelo erro, mas o erro levará a paga e em cada momento posterior a paga levará a uma nova provação. A idéia é que cada lição seja absorvida da forma mais branda e leve possível e que não se faça necessária a dor para a evolução e que esta somente ocorra quando a lição não tiver sido aprendida de qualquer outra forma.

Assim filhos a obrigação da alma não é trilhar caminhos previamente esboçados, mas sim aprender ensinamentos anteriormente estipulados. Portanto, se entendido como lição e não como acontecimento fatídico, o destino está escrito, porque todos os caminhos levarão a alma realizar o aprendizado determinado anteriormente. Esse sim é o verdadeiro destino.

Este é o motivo porque muitas das previsões se concretizam e outras, não. O futuro pode ser previsto, mas não é imutável. As guerras se fizeram porque os filhos não conseguiram aprender pela paz, mas se a paz fosse suficiente as guerras não iriam se realizar.

A premonição, a previsão, as cartas, podem mostrar aos filhos os esboços que foram efetuados, mas não necessariamente os fatos que irão acontecer seqüencialmente, porque eles podem ser modificados a qualquer momento pelo livre arbítrio dos envolvidos.

Mas, há sim e sempre um leito de rio a ser seguido que é o do aprendizado. As forças do destino encontram-se aí, porque os acontecimentos levarão sempre a que determinado karma seja resgatado e que a alma encarnada possa aprender.

É tal fato que leva acontecimentos serem repetidos inúmeras vezes em uma mesma encarnação. Quando o filho se recusa a aprender a lição vinda de acontecimento. Então o mais importante filhos, ao consultarem oráculos do futuro seja realizar a pergunta do que deve o consulente aprender. Para que assim possa controlar os acontecimentos do futuro do melhor modo possível, tendo em vista que ,se a lição for aprendida a dor cessara e também os caminhos serão abertos.

Os esboços dos acontecimentos se tornaram mais claros e o futuro mais cristalino quando se entendem os motivos. E, sim existem situações que estão predeterminadas, porque são elas, em muitas das vezes. a forma mais fácil de aprendizado.

Tenham cuidado filhos também quando forem relembrar encarnações anteriores porque às vezes em todas elas de uma forma ou de outra a dificuldade se apresenta, e por isso, a mais das vezes o esquecimento é uma benção, possibilitando que a alma novamente tente aprender sem ter consciência do fardo que trouxe de outras encarnações.

Mas relembrar as encarnações passadas é importante quando na atual não houver um esclarecimento maior e a dor se apresente tanta que o recordar será, em forma de terapia, tranqüilidade e clarividência dos problemas atualmente enfrentados e anteriormente ocorridos.

Deverá ser efetuada com total cuidado, porque aquele filho que errou antes, ao saber dos erros e que deles não conseguiu se desvencilhar pode, com essa consciência simplesmente desistir de seu atual aprendizado, se transformando tal conhecimento em um fardo que nada auxilia a atual evolução.

Assim, por exemplo, um filho com tendências suicidas ao recordar as encarnações anteriores e perceber que em todas elas houve a desistência da vida, pode, em vez de entender isso e lutar mais fortemente para aprender, simplesmente desistir.

Portanto filho, quando resolver buscar pelo conhecimento das vidas anteriores lembre que o fardo pode ser maior do que aquele que a ser suportado e se isso ocorrer à benção do esquecimento não mais se fará presente.

Mas, se for necessário ao atual desenvolvimento e se, o cavalo tiver completa ciência de que o que procura é a resposta ao que deve aprender então com muito cuidado e através de mãos de outras almas consciente de seu trabalho, realize-se a regressão, para que o esboço se torne mais claro.





“Desenhei o que achava que era o melhor
E, derrepente descobri que o borrão era ridículo
E que todo o desenho estava errado.
Joguei a folha fora e em uma nova rabisquei,
agora a lápis.
Aquilo que achei que um dia,
poderia se tornar figura.”

3.6 A Desobsessão e as Brechas Energéticas


É importante que os filhos entendam que podem eles mesmos se protegerem contra muitos dos obsessores evitando sua aproximação e auxiliando os espíritos protetores nessa função.

Obsessores, conscientes ou não, possuem cargas energéticas pesadas que são atraídas por energias iguais.

A energia boa, tranqüila, leva com que energias dissonantes tenham maior dificuldade em se manterem perto, porque padrões vibracionais se atraem do mesmo modo que abre a porta às doenças, um sistema imunológico fraco.

É preciso pois manter o padrão energético vibracional o mais etéreo possível. O descarrego é uma das formas de limpeza energética e deve ser utilizado amplamente pelos filhos porque aqueles que deixam sua casa limpa terão sua alma iluminada.

O descarrego é, portanto, uma das funções mais importantes da casas Umbandistas, mas apenas ele não é suficiente para manter o padrão vibracional do filho de tal modo que afaste o máximo possível os espíritos de pouca luz.

Efetivamente uma das principais funções do terreiro é manter em seus filhos padrões vibracionais que possibilitem uma boa evolução espiritual.

É por isso que importante se faz a concentração e o desejo de alcançar sempre uma energia boa o suficiente para que as decisões sejam tomadas em paz, onde as atitudes sempre procurem a busca pelo bem.

Atitudes são pois, outra das formas de se manter padrões vibracionais. Enquanto sorrisos atraem sorrisos, raiva atrai raiva e ódio, ódio. Mas isso já é demais conhecido pelos filhos.

Ocorre que em muitas vezes ao se decidirem por uma ou outra atitude os filhos não colocam na balança a carga energética que a atitude a ser tomada ira trazer e a porta aberta que pode ser deixada a espíritos de não luz, que sorrateiros se aproveitam desses estados vibracionais para conseguir impingir ainda maior dose de raiva, ódio ou qualquer outra forma de energia negativa.

Então é claro que atitudes terríveis e obvias contra a evolução do bem irão trazer padrões vibracionais deturpados, mas o mesmo também ocorre com as atitudes erradas menores, diárias e comuns a realidade dos filhos.

É preciso, pois que os filhos tenham cuidado com as pequenas atitudes diárias, com a maledicência, a raiva inesperada, a inveja que brota, a tristeza desnecessária.

Cultivar e cuidar do padrão energético é obrigação de todo o filho umbandista e um dos fundamentos dessa religião porque não há como o desenvolvimento se fazer presente quando a energia existente assim não o possibilita.

Cuidem filhos da energia que lhes envolve com a mesma acuidade com que cuidam de suas propriedades porque é ela que traz ao espírito a possibilidade de evolução.







“Teríamos muito o que conversar.
Conversa boba de prosa afiada.
Mas não me comprometo com comentários bestas.
Porque não sou mais besta”

3.5 Desobsessão pela Força Bruta


A desobsessão, portanto ocorre pelo convencimento com palavras ou então utilizando o que aqui é denominado de força bruta. E ela não deve ser temida, muito menos a Umbanda desrespeitada por sua utilização.

Existe sim muito preconceito ignorante que entende que os trabalhos de desobsessão da Umbanda são desnecessários e que basta a simples palavra para convencimento de todas as almas. A tal ignorância só resta uma atitude: levar aqueles que realmente acreditam em tal fato a levar o convencimento por simples palavras a assassinos, estelionatários, estupradores. Se então conseguirem o real convencimento e o encaminho a luz de todas as almas que tenham praticado tais delitos de forma que possam ser abertas as portas dos presídios então devem tais filhos pregar o convencimento pela palavra como o único necessário, porque então terão conseguido um grau de evolução em que todas as almas podem apenas pelo conhecimento dos seus erros optarem pela evolução e pelo caminho de luz.

Enquanto não se apresentar nessa dimensão tal evolução, não apenas necessários como obrigatórios a uma efetiva proteção espiritual, os trabalhos de desobsessão, sob pena de restar desacreditada toda uma religião, que inobstante mostrar aos seus filhos a existência de almas não evoluídas simplesmente não traz a eles a proteção necessária, deixando-os entregues a própria sorte, como se somente a atitude individual ou o padrão vibracional fosse suficiente a proteção contra tais seres sem luz.

Dito isso é necessário que os filhos entendam que a Umbanda é uma religião que possui sim seus executores, entidades que, em igual grau de evolução a outras, se dispõem a trabalhar em zonas de energias mais densas, aplicando a força bruta do convencimento a elas.

As entidades participantes da quimbanda são como já visto no primeiro livro* uma das principais executoras da Umbanda, realizando a proteção e o convencimento por força bruta, destinando-se a proteger com toda sua grandeza aqueles que desta proteção precisam.

E repita-se aqui, isso não as torna menos ou mais evoluídas do que todas as outras entidades que trabalham na Umbanda, sejam Caboclos, Pretos, Ondinas, entre outras. Apenas faz com que o trabalho dentro da religião seja diferente. É ignorância se temer ou respeitar as entidades quimbandeiras mais ou menos do que quaisquer outras participantes da Umbanda. Delegados ou médicos, são todos necessários a estrutura social e tem a nobreza de sua função em diferentes momentos.

Os filhos agora devem reler o Livro 1** no que se refere a Quimbanda para bem claros terem esses conceitos em suas mentes.

Partindo-se de tais princípios, tem-se sim que os trabalhos de desobsessão são realizados dentro da Umbanda quando necessários se tornam e utilizando-se toda a força material disponível para tanto. Acendam-se pois velas, misturem-se farofas, queimem-se charutos e utilizem-se todos os elementos materiais necessários, apenas excluindo-se o sangue e aqueles que trazem a qualquer outro ser encarnado ou desencarnado o sofrimento, bem como a necessidade de paga (a não utilização do sangue, sacrifício e da paga a espíritos desencarnados são fundamentos e serão abordados em momento próprio).

A Umbanda, através de seus executores afasta as almas obsessoras de suas vitimas, sempre que possível for, porque dentro da lei kármica a obsessão pode ser imposta e então caberá aos filhos, quando esta acontecer, apenas corrigirem os erros para conseguirem o mais rapidamente possível realizar o resgate para então continuarem sua evolução.

Quando a obsessão é kármica as entidades somente poderão fazer com que a vitima entenda que é preciso que ela mude padrões vibracionais, atitudes e cultive energia propicia para que o mais rápido possível possa se livrar do obsessor.

Por que o livre arbítrio aqui, como fundamento, também não pode ser desrespeitado e com ele também as conseqüências dos atos, que são inerentes a eles. Como já visto não pode o filho que se joga em uma poça de lama sair limpo dela, o livre arbítrio consiste em desviar ou não da poça (Importante a leitura sobre o Livre Arbítrio e suas conseqüências no Livro 1 para que tais conceitos se tornem claros***)

Assim, aquelas almas que não por karma, se tornam vitimas de obsessores, são acolhidas sempre nas casas Umbandistas para que possa se realizar o trabalho de desobsessão.

É importante também que reste claro que as entidades que trabalham na Umbanda têm o poder de proteção das vitimas, mas não podem impor as almas obsessoras que atuem de outro modo, pois então estariam atuando em seu livre arbítrio.

Como executores da lei separam das almas de luz tais seres trevosos, mas não tem o poder de obrigá-los a mudar de padrão vibracional ou de atitude. Então muitos seres trevosos são apenas obrigados a se separarem de suas vitimas, mas não necessariamente a mudarem de atitude com relação a outras desprotegidas, porque isso o sofrimento, dentro da lei kármica e no tempo certo se encarregara de fazer.

Também é importante que os filhos ao realizarem trabalhos de desobsessão tenham a certeza de que a corrente e os trabalhos na casa foram abertos e que podem contar com toda a força que se fizer necessária porque para o combate de trevosos se faz necessária mais do que boa vontade.

É preciso estarem presentes as entidades executoras, a proteção da casa, a força da corrente. Por isso não são recomendados trabalhos praticados por filhos sozinhos fora da proteção dos terreiros, mesmo que as entidades se façam presentes, porque necessitam elas de matéria física produzida pela corrente para que possam concretizar trabalhos onde a vibração é tão pesada que se torna necessária a força material produzida pela corrente.

O risco, portanto é muito maior quando se dispensa tal proteção, da mesma forma que um encarnado apenas com um facão, por mais forte que se apresente e por mais afiada que esteja sua faca não conseguira se defender contra criminosos em bando portando armas de fogo.

Assim filhos, todo cuidado é pouco quando trabalhos de desobsesão estão sendo realizados para que a proteção seja efetiva também aos cavalos que estão ali presentes.






“Achei que sendo bom de conversa podia convencer ate o Diabo.
Depois de três palavras tomei tento e sai na disparada.
O Diabo me mostrou o que já sabia: sou convencido, mas não desmiolado ”

* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 106, A Quimbanda.
** - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 106, A Quimbanda
*** - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 33, O Livre Arbítrio.

3.4 A Desobsessão e sua Função

Obsessores são como visto, parte do mundo espiritual e do mesmo modo que existem prisões no mundo encarnado como é preciso que tenham os filhos possibilidade de se protegerem dos obsessores.

Muitas vezes os terreiros Umbandistas são vistos com desconfiança exatamente pelo fato de deixarem claro que entre seus objetivos e objetivos de suas demandas esta sim, o de afastar obsessores dos filhos.

E mais, se não houver a possibilidade de realizar este afastamento pela simples palavra dita, pelo ensinamento passado, as entidades que trabalham junto a Umbanda o realizarão utilizando a força bruta, usando para produzi-la não apenas pontos e preces, mas também trabalhos que transformam elementos físicos em energia pura.

Portanto filhos, trabalhos sem sangue são bem vindos e utilizados nos terreiros Umbandistas porque necessários ao combate das forças negativas, conforme já explicitado no Livro 1*.

Perguntam ainda os filhos, se os espíritos obsessores serão sempre encaminhados a luz. Seria ótimo se isso ocorresse sempre que os obsessores são afastados de suas vitimas, mas infelizmente não é o que acontece na grande maioria das vezes, principalmente quando o espírito obsessor é um trevoso e não simplesmente uma alma que desavisada se utiliza de outra alma encarnada para obter apoio e estrutura.

Espíritos trevosos ou quiúmbas (não se ira utilizar esse termo pelos motivos já expostos no Livro1**), são almas desencarnadas que tem por objetivo consciente a realização do mau, recebendo para isso paga ou simples satisfação própria.

Entre eles encontram-se aqueles detentores das forças vibracionais mais pesadas e baixas, que praticamente se materializam de tão densas que são suas vibrações.

E não se enganem filhos que todos esses espíritos são seres bestiais ou deformados, como muitas vezes se apresentam nos terreiros. Uma grande parte deles possui um grau de requinte e inteligência extremamente elevado, utilizando-se então desses dois elementos para conseguirem seus objetivos. E esses trevosos são na maioria das vezes os mais perigosos porque, se apresentam e utilizam de sua inteligência para convencer e seduzir suas vitimas diminuindo e muito as chances de defesa.

Portanto filhos muito cuidado com trevosos que se apresentam com falas corretas e vestes belas, pois são tão ou mais perigosos do que aqueles que se mostram bestiais e deformados.

Os obsessores não precisam ser necessariamente espíritos trevosos, mas simplesmente almas que, perdidas, não conseguiram se desligar da esfera terrena e acompanham os encarnados como se encarnados também fossem, causando inúmeros dissabores, cansaço e perturbações em suas vitimas, mesmo que intencionalmente não pretendam realizar o mau.

Aqui podem ser incluídas as almas que não se conformam com o desencarne, aquelas que não conseguem se separar dos seus, ou ainda espíritos que em vida nutriram algum vicio e que agora desencarnados precisam se utilizar de almas encarnadas para conseguirem mesmo que em doses menores a sensação do prazer do vicio. Essa sensação é ínfima posto que se alimentam das vibrações emitidas por outros filhos viciados, pois não possuem mais corpo físico para poderem sofrer as alterações físicas decorrentes da pratica do vicio.

Esses espíritos desencaminhados muitas vezes encontram-se perdidos e sem um objetivo claro a não ser tentar prosseguir em uma atividade ou companhia que tiveram no mundo material.

Entre eles estão aqueles que tem a consciência que não são agradáveis e atrapalham os espíritos encarnados com sua presença e outros que simplesmente não tem conhecimento e consciência disto, sendo que, em diversas vezes acreditam estarem auxiliando o espírito obsediado.

Enquanto os primeiros aceitam o fato de que estão prejudicando as almas vitimas, mas entre seu bem estar e o da vitima optam pelo primeiro, os segundos simplesmente desconhecem que sua presença e atitude estão atrapalhando seres por eles inclusive amados e, como inocentes, procuram ajudar suas vitimas não percebendo que estão a lhes fazerem cada vez mau maior.

Portanto aqui se ira realizar a separação dos obsessores em trevosos, desencaminhados conscientes e desencaminhados inconscientes.

Os mais fáceis de serem conduzidos a luz e que muitas vezes o são em trabalhos de simples doutrinação e ensinos são os desencaminhados inconsciente, que ao tomarem conhecimento da real situação e da forma de resolução, se afastam procurando sempre auxiliar o seu desenvolvimento repudiando o mau que estavam fazendo ainda que de forma não intencional a suas vitimas.

O mesmo ocorre em algumas vezes com espíritos desencaminhados conscientes que, já cansados do sofrimento e não conseguindo mais obter auxilio as suas dores pela obsessão buscam outra forma de aliviá-las e então, escutam as palavras e procuram seguir a luz porque ela parece mais efetiva que o caminho que vem trilhando.

E outras vezes, simplesmente desistem de obsediar aquela alma que procurou ajuda em uma casa espiritual simplesmente porque é muito difícil desarmar as defesas que agora, por meio do trabalho realizado se tornam mais fortes. E então procuram outra vitima mais desprotegida e fácil, do mesmo modo que ladrões preferem portas sem cadeados do que as trancadas.

Nesses casos a simples palavra e doutrina se apresenta eficaz e não é a toa que centros kardecistas tem tamanho sucesso em obsessões realizadas por tais almas.

Ocorre que, infelizmente, como se verá a seguir, uma parte dos obsessores não se contentam com palavras e elas simplesmente não surtem qualquer efeito, sejam em missas católicas ou em centros espíritas.






“Na feira vendem alface, maça e pimenta.
Com a alface fiz salada, com a maça a sobremesa.
A pimenta não comprei, mas ela veio na sacola.
Porque na feira vendem alface, maça e pimenta.”

* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 44,A Força do Ritual.
** - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 107, A Quimbanda, “Aqui prefere-se ao invés de quiumba, utilizar ...”

3.3 Fundamentos da Desobsessão – Existência de Obsessores


Existem momentos em que a força da palavra apenas não gera a evolução do espírito e como no mundo dos encarnados, se faz necessária a força bruta e física para que encarnados ou não, possam estar protegidos daquelas almas que se recusam, pelo simples entendimento da palavra prosseguir. É quando os executores trabalham para que afastar daqueles que tentam seguir seus caminhos as almas que por um motivou ou outro atrapalham, das mais diversas formas, esses filhos.

Tais almas que interferem no caminho de outras, seja por maldade, desespero ou desconhecimento, são mais comuns que os filhos que não crêem gostariam que fossem.

O que causa espanto filhos é que esse seja um assunto ainda tratado com desconfiança nas esferas do kardecismo, como se somente houvessem uns poucos espíritos desencaminhados e que o restante das dificuldades (que não as impostas pela lei do Karma), derivassem quase que exclusivamente de surtos alucinatórios daqueles que são obsediados.

Como se somente a prece ao pé da vela ou ao lado de um copo de água fosse suficiente para combater forças que são muitas vezes mais fortes naquele determinado momento do que o próprio filho que sofre.

Pensem filhos, pensem!

Porque aqueles que enquanto encarnados mentiram, enganaram e fizeram sofrer seriam diferentes aos desencarnarem? Almas não iluminadas somente poderão e irão caminhar para o bem e para a luz quando assim decidirem, ou então, pelo sofrimento forem obrigados não é a passagem de encarnados para desencarnados que realiza obrigatoriamente essa transformação. Morrer, ou deixar o corpo físico é tão somente uma mudança de matéria física, cumulada com a visão de continuidade do caminho, mesmo quando o corpo material não mais existe.

Ocorre que esse conhecimento por si só não tem o poder de colocar nos trilhos almas sem luz. E elas, acostumadas a padrões vibracionais baixos, continuaram a alimentá-los, seja por meio de paga, de simples apego, ou vontade intencional de praticar o mau em seu próprio proveito.

Dito isso e entendido que espíritos sem luz não passam a almas iluminadas pelo simples desencarne, tem-se outro problema: como serão essas almas, já distantes das algemas terrenas, encaminhadas ou afastadas do caminho de terceiros?

É ai que entram os trabalhos de desobsessão.

Obsessão é o ato de uma alma obsediar outra*, seja através de mentalizações, aparições ou transmutações.

Assim, é claro que não poderiam os terreiros Umbandistas se furtar a proteger as almas que buscam liberdade do seu obsessor. E não existe aqui qualquer segredo ou mistificação. As entidades protetoras se utilizam sim da energia dos mais diversos materiais para efetuar o convencimento, bruto ou não, das almas obsessoras para que elas continuem seu caminho.

Existem sim, espíritos sem luz que em troca da energia do sangue, de alimentos podres ou de outras formas vibracionais negativas se prestam aos mais diversos trabalhos.

E, como funcionários da dor, são pagos para fazer o possível para atrapalhar e não permitir a felicidade daquele que é obsediado. É claro que, os protetores espirituais que cuidam dos encarnados, sejam umbandistas ou não, realizarão a proteção daquele que obsediado é, da forma que mais efetiva se apresentar.

Ocorre que muitas vezes os padrões vibracionais aos quais as almas sem luz estão afeitas, coordenados com um padrão vibracional não condizente criado pelo próprio filho, acabam por dificultar o trabalho espiritual. É quando muitos procuram as casas espirituais para que possam se livrar daquele que está lhe obsediando.

Na maioria das vezes essa busca acaba inclusive sendo inconsciente, mas é bom que os filhos umbandistas ou não, tenham por hora essa noção: obsessores existem, pessoas sem luz também desencarnam e o auxilio espiritual sempre será bem vindo e devera ser procurado sempre que se fizer necessário, sem que existam medos, meias palavras e rituais escondidos.





“Cretinos também ficam velhos e cretinos também morrem.
Se não for um deles, quero é proteção.”









* - Obsediar: Interferir na vontade alheia.

3.2 A Força que Protege o Trabalho


Antes de qualquer passo que a Umbanda, enquanto religião de, é necessário um pré-desenvolvimento no plano espiritual que envolve não uma, mas centenas de almas.

Em algumas vezes o planejamento é tão intenso e detalhado que quando algum elo se rompe, quase que automaticamente são encontrados outros para que a corrente possa se manter firme para continuar executando o plano espiritual.

Mas, é claro filhos, que como em qualquer outro planejamento a maior facilidade é que os passos sejam executados pelos elementos previamente escolhidos. É esse um dos motivos que sim, as entidades protetoras e idealizadoras da Umbanda protegem também, com unhas e dentes, seus filhos.

A proteção não é cega, mas quando o erro for ocorrer inúmeros serão os avisos para que seja realizado o desvio. E também quando a boa vontade se fizer presente é claro que, dentro da lei Kármica e com todas as limitações próprias a ela, os tombos tenderão a serem amenizados ou se isso não for possível, a ajuda ao regresso da caminhada sempre se dará.

É obvio filhos que isso não significa que os cavalos de corrente terão desculpa maior aos seus erros ou as suas faltas. Nem que aqueles que não participam da Umbanda não contarão com a sempre existente ajuda espiritual.

Ocorre que os filhos Umbandistas praticantes tem consigo uma predisposição ao auxilio espiritual das entidades que trabalham na Umbanda, pois, como todos os capitães, estas entidades também protegem seus exércitos.

E a boa forma dos soldados é necessária para que a Umbanda possa avançar. Então, por questão inclusive de lógica, há uma proteção pairando junto aos filhos praticantes da Umbanda.

E repita-se aqui, ninguém deve seguir a Umbanda visando essa proteção, porque todos aqueles que praticam o bem e buscam uma evolução tem proteção para poderem concretizar seus objetivos e com isso, um objetivo maior, que é a evolução de todas as almas.

Então, mesmo que o filho seja cavalo da Umbanda, ao errar, deverá pagar, e não haverá credo algum que evite uma alma de resgatar suas dividas, mesmo porque isso e contra o fundamento da evolução e, portanto, contra a ela.

Agora é ingenuidade dizer que o cavalo Umbandista não conta com uma preocupação e proteção especial das entidades.

Como já dito as entidades que protegem e fazem evoluir a Umbanda precisam que seus defensores estejam em sua melhor forma e por isso provem o necessário, respeitando, claro, a lei fundamental kármica.

Isto explica o ditado que corre a boca pequena dos ignorantes que “aqueles que entram na Umbanda, nunca mais dela poderão sair”. Nada mais absurdo e errado! Os filhos antes de tudo tem seu livre arbítrio e ele também é fundamento, conforme inclusive já amplamente explicitado no Livro 1.*

O que ocorre é que os filhos ao se afastarem de uma religião, serão menos necessários a evolução dela e, portanto, ao saírem do exercito não mais estarão à vista direta de sue capitães e, portanto mais suscetíveis às dificuldades.

Claro que qualquer alma, encarnada ou não, dentro da lei fundamental, será atendida pelas entidades que trabalham na Umbanda, porque essas defendem antes de tudo aqueles que praticam e realizam o bem, que também é o principal objetivo da Umbanda.

Apenas que, mesmo sem que haja o pedido, entidades que trabalham na Umbanda protegem seus filhos.

Mas, da mesma forma que essa proteção é dada, dos filhos Umbandistas são cobrados suas atitudes e participação, seja nos trabalhos, seja nas preces sempre visando o desenvolvimento eterno e constante da Umbanda.






“Ser filho na maioria das vezes é cansativo..
Preciso explicar que horas vou voltar, onde estarei e com quem.
Preciso obedecer regras, deixar meu quarto arrumado, ter bons amigos.
Mas quando resolvi sair de casa descobri que é pior ser um sem teto”





* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 33, O Livre Arbítrio

3.1 Encaminhamentos e Trabalhos

Um dos fundamentos Umbandistas é que os encaminhamentos podem ser feitos em qualquer momento que for necessário porque as almas possuem o livre arbítrio para poderem se afastar daquele que, de algum modo ou de outro realizam o mau a quem quer que seja.

De nada adianta serem feitos pedidos quando é necessário antes de tudo que possam os espíritos serem encaminhados ao longe mesmo quando eles não podem simplesmente ser afastados com a força do pensamento. Os trabalhos pretendem neste que se desfeita a vibração primária que trouxe ao obsessores ao lado daqueles a quem “vampirizam”.

Portanto é necessário que sejam encaminhadas aos terreiros as almas perdidas e perseguidores para que possam elas continuar sua jornada de onde pararam e para que possam perceber que a paga é muito menos gratificante do que se poderia esperar.

Portanto filhos entendam que não basta aqui tão somente a prece na base da vela e sim trabalhos para que sejam essas almas encaminhadas.

Esse é um dos objetivos dos terreiros: Conseguir encaminhar as almas que foram pagas para realizarem mandingas a seu ponto de inicio, fazendo com que elas retornem de onde vieram ou então voltem a trilhar a evolução.

Os trabalhos devem ser feitos antes de qualquer outra atitude porque eles conseguem romper a força vibratória original que permitiu que a obsessão.

O trabalho corta a vibração original que foi trazida para dentro da vida do consulente ou para sua proximidade, a desfazendo, porque nela em primeira e ultima instancia encontra-se o estado vibracional possibilitador da pratica da maldade plantada.

O estado vibracional é pois o local onde a maldade pode fazer morada e dele ela depende para que então possam ser efetivas as suas atitudes, de nada adianta que fossem feitos trabalhos se as portas não forem abertas.

Os filhos Umbandistas conseguem com o tempo de casa entender e perceber quando estão obsediados por essas criaturas, sejam elas pagas ou simplesmente perdidas. A sua aproximação é sentida mesmo antes de qualquer atitude. Percebem que estão sendo perturbados por almas perdidas que, seja por paga ou não, tentem se fazer presente.

Então filhos tenham consciência que é preciso o encaminhamento dessas almas sem luz que atrapalham e conseguem fazer com que sejam difíceis as realizações e a continuidade para que possam entender que não basta que sejam




“Eu tenho uma cabra, um cabrito e um burro.
A maldade é burra, mas vive no sítio”

3 - Parte III - Desobsessão

2.10 A Gratidão em Forma de Vibração


O filho deve sempre ser grato, mesmo quando tudo parece ruir a sua volta, porque dele não foi retirado o principal: a chance do recomeço.

Ai está à grande forma de imantação: a chance de recomeçar, de tentar novamente. É dado aos filhos a possibilidade de uma segunda, terceira ou quarta chance.

Não que a cada chance seja igual o peso da paga, porque em cada caída, o preço pago será, obviamente, maior. Mas esse é o grande milagre que se realiza todos os dias na vida dos filhos: a chance de ter um novo recomeço.

A Umbanda é sempre fundamental o fato do recomeço não só ser possível como desejável. Como já dito no livro anterior cabe ao filho e unicamente ao filho o seu próprio perdão, mas mesmo sendo esse obtido, deverá ele a paga dos erros que cometeu.*

A paga é importante para que os recomeços possam ser sempre possíveis. É a paga que possibilita o recomeço.

E isso é Lei filhos: nenhuma paga será tão grande que impossibilite o recomeço. A todas as almas é dada a possibilidade de recomeçar, mesmo que constantes e grandes sejam seus tombos.

E a paga, por maior que seja não pode obstar o recomeço, para ser alcançado o aprendizado.

Não se esta falando aqui de perdão pelos erros. Não existe o perdão que se não o do próprio filho em reconhecer as falhas e perdoar a si mesmo. Mas mesmo existindo este perdão não consegue ele obstar a paga.

Ela é conseqüência natural do erro, da queda. E somente na paga é que os erros são resgatados e realizada a evolução.

A paga é uma das formas de evolução e, portanto, dos erros não se pode tirar essa característica.

O perdão do filho aqui engloba também se permitido recomeço, mesmo que seja apenas para realizar a paga. O filho que reconhece seus erros e deles se arrepende, encontra-se no caminho para efetuar o recomeço e a paga.

E isso é o mais importante: o recomeço.

É fundamento e lei na Umbanda, dentro da lei do Karma, que todos os filhos possam recomeçar e que a paga nunca seja tão grande que lhes retire essa possibilidade.

Por mais que a paga seja mais longa que a encarnação onde houve o recomeço ainda assim, ela nunca obsta esse recomeço, pois pode ser resgatada em outras e novas encarnações.

Mas esse recomeço para a realização do resgate deve-se dar rapidamente. Quanto mais houver demora, maior o sofrimento. Isso porque o sofrimento é uma das formas de enviar a alma ao recomeço.

A percepção desse fato é o que faz toda a diferença.

Não se esta falando aqui que não haverá paga. Não cabe, se não ao filho, perdoar a si mesmo e esse perdão não levará a inexistência de paga.

Mas o perdão dado a si mesmo faz com que o recomeço possa ser mais breve já a consciência de que esse recomeço irá trazer a paga é forma de torná-lo mais claro e , quando pesada for, a consciência de que estará sendo efetiva para o resgate.

O resgate kármico ira se realizar invariavelmente. Sempre é possível a alma errante conseguir a paga a seus erros, mesmo que isso demore mais que várias encarnações. O começo deve ser o mais breve possível para que a alma possa obter a paz o quanto antes.

Algumas vezes as almas que foram prejudicadas pelo espírito do filho, quando desencarnadas poderão acompanhar o mesmo, esperando que a vingança se faça dessa forma, alimentados por ódio e desejo de revanche.

E muitas dessas almas não são seres trevosos ou não iluminados, apenas não possuem a consciência que não serão elas que impingirão á paga ao filho que as prejudicou, mas a própria lei o karma.

Então cultivam a raiva acreditando que assim estarão impingindo a paga. Mas com tal atitude somente impingem a sua própria alma mais sofrimento e desespero, pois perdem seu rumo em energias vibracionais não condizentes com uma efetiva evolução.

E muitas vezes também não conseguem entender que se cruzaram os destinos e as almas são porque algum motivo maior existia e não cabe a elas tentar impingir a dor e o mau.

Mas não são somente almas desencarnadas que procuram desesperadamente a vingança.

Os filhos encarnados, muitas vezes dedicam anos e encarnações em busca de uma vingança que não deve ser por eles executada. Esquecem de realizar a própria evolução e não suficiente terem sido machucados por essas almas errantes, ainda dão a elas maior poder, o de atrelar toda a encarnação em busca da vingança.

Filhos a lei é clara: a paga se fará pela lei kármica e não por qualquer outra alma também em evolução que também possui, mesmo que menores, erros.

Então filhos esqueçam sentimentos e atitudes de vingança, deixem que a paga se faça pela lei de resgate e continuem suas próprias vidas, por mais difícil que possa parecer.

Isso é conhecimento; a paga virá e não será pelas mãos de outra alma. Essa certeza leva a libertação da alma que então poderá seguir seu caminho sem que precise entrelaçar ao seu, outros karmas ainda mais pesados.

Quantas almas deixam passar encarnações sem que tenham noção de que uma perseguição mutua somente leva a novos erros e a existência de mais dor e novos resgates?

Se o filho confiar inteiramente na lei exposta, encontrará a liberdade.

Por esse motivo a pena de morte não é admitida na Umbanda. Porque não cabe a outro ser encarnado retirar de uma alma a possibilidade dela, naquela mesma reencarnação efetuar o recomeço e a paga.

A pena de morte tira da alma um direito básico que é a do recomeço imediato na encarnação em que se encontra o filho e, portanto fere as leis da Umbanda.

E essas penas somente trazem para a sociedade executora, uma nova continuidade do erro, porque retiram das almas a possibilidade de recomeço naquela mesma encarnação.

Efetivamente o recomeço pode se efetuar na mesma encarnação em presídios, mas não em um tumulo. E então mais demorado se fará essa paga.

E filhos, certos de que o recomeço poderá trazer a redenção e que a paga se fará pela lei kármica, então se livrem dos ódios e da necessidade de vingança, pois por essa lei, vingados estarão, sem que para isso precisem agregar a seu karma novos resgates, ou ainda a seu espírito vibração não condizente com a evolução pretendida.

Essa lei se aplica igualmente aos filhos que pretendem o recomeço. Estejam certos que haverá uma paga e muitas vezes ela não será fácil, mas essa paga nunca impossibilitará o recomeço, assim o resgate poderá ser efetuado imediatamente.

Para isso basta que o filho que cometeu o erro seja sabedor dessa lei: que deverá sim efetuar a paga, mas poderá recomeçar a fazê-lo de imediato e que ela sempre será possível, mesmo que demore encarnações, mas quanto mais rápido ela for feita mais rápido será seu termino e a recuperação da efetiva evolução alem do próprio resgate.

É importante também que os filhos que irão desencarnar brevemente e procuram nesses ensinamentos fundamentos para realizá-la de forma tranqüila e entendam que não caberá a eles, quando desencarnados, tentarem realizar a paga dos que erraram.

E essas palavras são especialmente dirigidas aos que tem seu desencarne como breve realidade: livrem-se de sentimentos de vingança e entendam o quanto antes, que a paga será feita naturalmente.

Não é necessário expressar aos merecedores de seu ódio tal realidade, mas sim e mais importante é que se façam sabedores disso, para que possam em seus desencarnes estarem cientes de que utilizarão essa nova fase para evolução e não para criação de novos karmas.







“Aos devedores minhas escusas, mas não sou cobrador.
Realizem eles às suas próprias moedas.
Não serei quem apontara o revolver. Faz muito, aposentei o meu.“


* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 17, A Força do Perdão e a Força de sua Inexistência

2.9 A Força do Povo Cigano


Os ciganos são uma das energias entoadas na Umbanda para a realização de trabalhos. A energia cigana é junto com a energia da quimbanda uma das forças executoras.*

Também as entidades que trabalham nessa linha possuem a ligação com o terra a terra e com as necessidades humanas, mas são, sobre tudo feiticeiros. Os feitiços realizados dentro dessa linha espiritual são dos mais fortes da Umbanda e protegem, coração, dinheiro e poder, enquanto canalizados ao bem.

Os ciganos são também violentos em defesa daquilo que acreditam. Em sua essência são livres e corajosos, dão grande importância à família e cuidam de seus velhos. De enorme beleza apreciam o canto e a dança, cultuam o fogo e dependem dele. Não apenas prevêem o futuro, mas também tem capacidade de absorver e entender as energias que se encontram rodeando o consulente, para então, poder posicioná-lo dentro de uma ou outra escolha.

São orgulhosos e gostam de vestimentas alegres e perfeitas, tem um grande poder de sedução e são seduzidos pela beleza da dança e pelo calor do fogo. Não são entidades que devem ser chamadas quando se fazem necessárias energias mais etéreas e não combativas.

São entidades que tem em sua beleza e seus feitiços uma de suas maiores forças. Seus trabalhos são efetivos e levam a abertura material.

Sabem falar ao coração, porque do coração falam. E lidam com as energias e poder de atração, utilizando-as quando necessário for. Mas não fazem qualquer tipo de amarração, porque, como todas as entidades que trabalham dentro da Umbanda, respeitam o livre arbítrio de cada uma das almas.

Portanto filhos são os ciganos sim os indicados para resolverem problemas do coração, mas não peçam nunca a eles que obriguem espíritos a permanecerem juntos. Poderão sim clarear mente e coração objeto do amor, quando assim for necessário e sempre visando o bem. Mas nunca irão realizar trabalhos para amarrar qualquer um a quem quer que seja.

A Umbanda respeita, antes de tudo, o livre arbítrio. Mas sim, podem fazer com que as almas se encontrem e consigam perceber que tem muito que aprender uma com a outra.

Também, como as outras entidades, desfazem trabalhos, libertando do mau desejado o consulente, mas nunca enviando esse mau àquele que o desejou.

O motivo é simples: não cabe aos ciganos, como a todas as outras entidades julgarem ou executarem vinganças. Não. Apenas afastam a energia negativa ou o espírito de não luz que se prestou a paga, fazendo-o seguir adiante, tentando em primeiro momento explicar que o caminho correto é o da luz, mas se assim não for possível, fazendo-as seguir seus caminhos e não mais perturbarem o consulente, porque então estará esse protegido pela vibração cigana.

As paixões, os grandes amores, as seduções fazem parte da energia cigana. Ciganos e ciganas dançam a luz do fogo e dançam a luz da lua. São entidades que brilham no fogo e que trazem do fogo muito de sua força.

Mas cuidado filho ao pedir a um cigano qualquer auxilio para conquistar um determinado amor. Muito cuidado, porque é preciso saber primeiro se realmente esse amor é o melhor caminho.

Nenhum espírito será conduzido a outro se não por seu livre arbítrio, mas ao abrirem os ciganos os olhos daqueles a quem pretendem o consulente conquistar, podem despertar neles o interesse. E então não mais invisível se fará quem pediu o trabalho, pois, como a luz da lua, brilhara em noite escura.

Mas então o consulente terá aberto um caminho, do qual será amplamente responsável. Com essas entidades e com corações não se brinca, A ninguém é dado conquistar pelo simples prazer da conquista, seduzir pelo simples prazer da sedução, porque isso levará ao sofrimento e todo o sofrimento a uma paga.

O fogo atrai, mas queima. O trabalho feito por uma entidade cigana pode queimar aquele que pretenda utilizá-lo para seu próprio ego, ferindo os que envolvidos foram.

E a paga não será pequena, porque disseminar a paixão de forma inconseqüente é muito mais grave do que simplesmente deixar que ela ocorra naturalmente. Então filhos não achem que ao ficarem visíveis para o objeto do desejo, e se for única e exclusivamente esse o objetivo, num auto alimentar de egos, não terão que em algum momento pagar.

Sim, pagarão. E caro. Assim filhos ao pedir a uma entidade cigana um trabalho de amor, pense não uma, mas centenas de vezes se é o que efetivamente deseja, para que não atraia a si um karma maior.



“Ciganos: Sedução, Paixão, Amor.
Na luz do fogo: vida ou extinção “



* - Livro: Umbanda para a Vida: Primeira Leitura dos Fundamentos Umbandistas, página 106, A Quimbanda..